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Gestão Racional do Patrimônio

05/10/2011 - 14h58


 

Nos últimos anos o que mais tem preocupado a cabeça dos investidores é a crise econômica. Dentre idas e vindas, tsunamis e "marolinhas", percebe-se que a situação é mesmo grave, e a possibilidade do mundo, iminentemente, mergulhar em um período de recessão mais profunda talvez seja o cenário mais plausível. E o que os cidadãos comuns podem fazer para buscar a melhor defesa do seu patrimônio?

 

 

Uma gestão equilibrada dos recursos. Mas para isso não existe uma regra geral, cada perfil demanda uma análise diferente e individualizada, em função dos objetivos pessoais, situação financeira, e principalmente, tolerância ao risco. Já passou da hora de refletir e tomar decisões importantes para a saúde dos negócios e bem estar das famílias.

 

Em um contexto "normal", para quem administra o patrimônio de forma conservadora, deve-se procurar manter uma distribuição equilibrada dos assets. Investimento é aquilo que gera renda, então preservar o cargo na empresa é o melhor a fazer neste momento, já que o salário é o provedor de boa parte da receita que custeia os nossos gastos cotidianos. Considerando que a estabilidade no emprego é coisa do passado - o que vale é o "trabalho" - os empreendedores, comerciantes e empresários também devem usar toda cautela no planejamento de seus negócios.

 

Enquanto os juros (reais) estiverem altos, muito capital estrangeiro ainda vai aportar em nossas praias atrás dos elevados  rendimentos da renda fixa. Entretanto, depois da mudança de governo, a autonomia do Banco Central ficou reduzida, e mesmo com a perspectiva de que as metas inflacionárias não serão cumpridas, a taxa de juros já começou a fechar, seguindo determinação da maior autoridade monetária atual - o próprio Palácio do Planalto.

 

Culturalmente, tirando a parcela imobilizada em propriedades que geram custos - salas comerciais e imóveis para locação podem ser classificados como investimentos - boa parte (na ordem de 70 a 80%) dos recursos líquidos deve ficar aplicada em títulos - federais ou privados, que oferecem relativa segurança e boa remuneração. Mesmo depois de descontado o imposto e taxas de custódia e/ou administração, o rendimento ainda pode ser bom. Mas se esta tendência de inflação maior se confirmar, concomitantemente ao corte na taxa bruta, os juros reais vão diminuir. Fica a incógnita do que será feito com a prosaica e popular caderneta de poupança, imexível (?), que paga 6% ao ano além da TR (Taxa Referencial), cuja metodologia de cálculo tem como base a taxa média mensal ponderada ajustada dos CDBs prefixados de 30 instituições financeiras selecionadas - eliminando as duas de menor e as duas de maior taxa média.

 

Operações em bolsa sempre denotam alto grau de risco, ainda mais para quem não é profissional da área. Em épocas favoráveis, entrando nas baixas e gozando do período de valorização dos índices, costuma ser bom negócio. Mas quem pode garantir onde fica o fundo, e que as ações continuarão subindo. Volatilidade é a palavra da moda, a mídia e os "analistas" de corretoras gostam muito de utilizá-la para justificar o imponderável.

 

Do jeito que os emergentes vêm sendo explorados pelo "mundo desenvolvido", na hora que estes começam a perder competitividade,  as economias até então pujantes são rebaixadas, o desemprego assombra as populações do velho continente - e movimentos contra a ganância corporativa ocupam Wall Street, fica difícil encontrar uma solução que não passe pela emissão de "montanhas" de dinheiro para conter os deficits dos países em crise. Todos vão pagar a conta!

 

Então, pensar em ativos reais, metais preciosos, ou uma cesta de moedas internacionais - menos sujeitas às variações de humor do mercado - podem ser alternativas para diversificar o risco de um portfólio equilibrado. O fato é que os gerentes de bancos se esforçam para atingir suas metas, e orientam seus clientes a comprar os produtos financeiros que se revertem em mais pontos para suas avaliações periódicas.

 

Portanto, o melhor a fazer é estudar, traçar planos, avaliar vários cenários - do mais favorável ao pessimista, e tomar decisões sensatas, racionais, sem influência da emoção. Procure profissionais de sua confiança para ajudar em uma consultoria que possa proporcionar relativa tranquilidade nos momentos de maior turbulência na economia.

 

Boa sorte e sucesso!

 

Marcio Relvas