Artigos

Juros, Inflação e PIB

02/09/2011 - 14h22


Agosto passou. Final de mês sempre ocorre uma movimentação maior por parte dos fundos, onde os gestores buscam recuperar a rentabilidade de seus produtos para fechar balanço, e não desagradar os clientes. Mesmo assim, não conseguiram eliminar as perdas do decorrer do período.

 


Quanto à inflação, o IGP-M que vinha em queda nos últimos 60 dias, voltou a subir, na casa de 0,44% - grande parte desta alta é atribuída aos alimentos. E os juros continuam altos (apesar do corte de meio ponto na Selic)... muito complicado praticar uma política monetária equilibrada, quando o custeio da máquina, os gastos com pessoal e a previdência aumentam paulatinamente. Em contrapartida, os investimentos permanecem minguando. Taí o resultado do PIB, de 0,8% no segundo trimestre, que reflete bem isso.


Essa herança maldita do presidente anterior nos faz pagar caro pelo elevado nível de popularidade com que ele deixou o governo. Com todo esforço na faxina ética promovida atualmente, não há como desmantelar esse corporativismo no congresso. Cassar o mandato de corruptos(as) nem pensar... quase todos estão com o rabo preso.


Sobre o corte de meio ponto percentual na Selic promovido nesta última reunião do Comitê de Política Monetária, a taxa básica de juros voltou a ser 12% aa. Melhor ainda teria sido se esta decisão não fosse prioritariamente política, depois de forte pressão por parte do governo. Difícil crer que o mesmo aconteceria na gestão de Henrique Meirelles, enquanto presidente do BC.


Falta agora a turma do Planalto arrumar o barraco (ou palácio) e fazer o dever de casa, equacionando os gastos públicos, destinando mais verbas aos investimentos que o país tanto precisa para crescer. Torcemos para que essa não seja apenas uma medida isolada e paliativa - de cunho populista - e que a economia nacional volte a trilhar o rumo certo.


De qualquer forma, o mercado foi surpreendido com uma redução inesperada e considerável dos juros... o índice da Bovespa reagiu com boa alta no pregão seguinte, compensando a desvalorização na ordem de 4% no mês de agosto. Mas como o mercado é soberano, e este movimento foi tipicamente local (sem ser acompanhado pelas demais bolsas internacionais), uma nova correção pode ser esperada iminentemente.

 

Seagull