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Investimentos e Emoções

22/08/2011 - 20h13


 

Houve um tempo em que apenas a análise fundamental era a estratégia disponível para controlar investimentos. Algum tempo depois, quando os computadores pessoais tornaram-se acessíveis, ganhamos mais uma opção: a análise técnica. Entretanto uma lacuna parecia vazia e provocava questões que aqueles dois tipos de análise não conseguiam esclarecer.

 



Por que investidores e especuladores de grande experiência perdem tudo o que têm? Por que algumas pessoas simplesmente não conseguem lidar com suas finanças de maneira segura, ao mesmo tempo em que outras obtêm grande sucesso? Somente uma nova perspectiva poderia responder essas perguntas. Assim, algumas pessoas descobriram ser necessário incorporar mais um tipo de análise ao processo investidor. É necessário, também, realizar uma análise psicológica, que diz respeito às finanças comportamentais.



Hoje, mais importante do que conhecer os mercados, precisamos compreender de que maneira aplicamos nossos conhecimentos. Por culpa da aversão ao risco, grande parte dos investidores prefere os menores, ou quase ausentes, riscos. A grande diferença é quem se arrisca mais e, ao mesmo tempo, controla suas emoções conquista lucros maiores.



Esta nova ciência mostra como é importante conhecer não só os mercados, mas também a forma como aplicamos esse conhecimento. Isso explica os efeitos que as emoções e os comportamentos completamente ilógicos têm sobre as decisões financeiras. Quer entender melhor? O que você escolheria: ganhar R$ 100 ou ganhar R$200 de imediato, mas perdendo R$ 100? Perder sempre tem um impacto psicológico mais tenso do que ganhar a mesma quantia. Por isso é tão difícil controlar nossas emoções, mas não é impossível! Basta se conhecer um pouco mais e conquistar o autocontrole.

 

 

Emoção ao investir

 

 

Efeito manada, excesso de otimismo, aversão à perda, autoconfiança exagerada. Esses são alguns sintomas comuns em investidores e que têm sido foco de diversos estudos ao redor do mundo sob o tema das finanças comportamentais.

 

Despertar a consciência do investidor sobre os sintomas psicológicos que surgem a partir da relação com investimentos e dinheiro é uma maneira de aguçar a razão e evitar que a emoção influencie nas decisões, segundo especialistas.

 

De acordo com dados levantados pelo banco Santander, 40% dos clientes que fizeram cursos ou participaram de palestras sobre finanças comportamentais obtêm melhores rentabilidades nos investimentos.

 

"Isso ocorre porque o investidor percebe que é preciso raciocinar antes de tomar a decisão e não simplesmente fazer porque os outros fizeram", analisa Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista especializada em psicologia econômica e autora de dois livros sobre o tema.

 

Um estudo da Universidade de Cambridge comprova a falta de racionalidade que há na relação com os investimentos. "O maior medo do ser humano é falar em público. Em segundo lugar está a morte. E a terceira aflição é o futuro financeiro. Se há esse medo, há emoção em excesso."

 

Aconselhamento. Um levantamento da Infomoney feito com centenas de brasileiros mostra que somente 4,75% dos investidores tomam decisões com base na opinião de profissionais especializados; 30,71% decidem unicamente por sua própria análise; 22,57% são pouco influenciados pela soma de análises próprias e profissionais; e 41,97% ponderam as opiniões de conhecidos e as percepções próprias.

 

Para Bernardo Nunes, que está desenvolvendo uma tese de doutorado sobre finanças na Nova School of Business Economics de Lisboa, o investidor que passa a conhecer "os vieses e desvios da racionalidade mais comuns pode evitar uma boa parte das perdas e passa a lidar com o assunto finanças de uma forma mais eficaz".

 

Institucional. Os estudiosos do assunto afirmam que já há uma incorporação do tema nos escopos mais tradicionais da economia, apesar de ainda haver preconceito dos economistas mais antigos. "Depois da crise financeira de 2008, certamente as finanças comportamentais ganharam ainda mais relevância", diz Vera Rita.

 

Nunes conta que Áustria, Inglaterra, Holanda e Suécia são os países mais avançados nesse processo em termos acadêmicos. "Na psicologia econômica como um todo", diz.

 

Especificamente sobre as finanças comportamentais, que são um braço da psicologia econômica, os Estados Unidos lideram a incorporação, tanto no meio acadêmico quanto no prático, de acordo com Nunes.

 

"Nos Estados Unidos, as certificações profissionais de finanças, como a CFA, incorporam questões de finanças comportamentais nas provas", explica. "No Brasil, o assunto também já é tratado na certificação CGA, da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)", exemplifica.

 



Conhecimento ajuda a domar a emoção ao investir - Roberta Scrivano

 

 

 

INDICAÇÃO DE LEITURA

 

 

A Cabeça do Investidor

Conheça suas emoções para investir melhor

Vera Rita de Mello Ferreira

240 páginas

 

Para conhecer um pouco mais sobre finanças comportamentais e aprender a aplicar os conhecimentos da psicologia econômica no seu dia a dia, indicamos o livro A Cabeça do Investidor. Nele, a autora explica como controlar as emoções diante de decisões em condições de risco.