
Como negociar Ouro
03/09/2009 - 17h15
O ouro, que passou para o imaginário popular como o símbolo de riqueza e ostentação dos reis, é mais acessível ao investidor do que se pode supor. Há aplicações em ouro para todos os gostos e exposição aos riscos. Os investidores podem comprar ouro físico no mercado de balcão, ou buscar operações mais sofisticadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), onde são negociados contratos futuros, e opções (de compra ou venda) de ouro.
A formação do preço do metal no Brasil é baseada no preço praticado na Commodities Exchange (Comex), a bolsa de mercadorias de Nova Iorque, que é a maior bolsa de ouro do mundo e negocia o maior volume desse metal no mercado futuro. O motivo do mercado brasileiro se basear na Comex deve-se à coincidência de horários. O preço praticado internamente é o mesmo do pregão dessa bolsa no exato momento em que as quantidades estão sendo compradas ou vendidas, transformado para real pelo câmbio do dólar no mercado paralelo.
Existem também outros fatores que podem influir na determinação do preço do ouro no mercado brasileiro. Um exemplo: um fato qualquer que gere instabilidade política pode ser suficiente para aumentar o preço do ouro, assim como a normalidade política contribui para a estabilidade dos preços. Da mesma forma podem mexer com o preço do ouro alguns episódios nas áreas econômica ou social.
É desnecessário dizer que quando isso ocorre, o preço de outras mercadorias e das moedas estrangeiras, inclusive o dólar, igualmente recebem o impacto dessas mesmas variáveis.
Passo-a-passo
Há duas formas de comprar ouro: no mercado de balcão ou na BM&F. Para investir em ouro na bolsa, a primeira medida é abrir uma conta em uma corretora de valores. Uma vez cadastrado, o investidor requisita a compra do metal por meio da corretora. Na BM&F, os contratos são negociados em lotes-padrão de 250 gramas de ouro. Não é possível comprar, por exemplo, 100 gramas de ouro. O aplicador só pode adquirir lotes inteiros – um lote (250 gramas), dois lotes (500 gramas), três (750 gramas) e assim por diante.
Por isso, quem optar por operar na BM&F deve estar preparado para desembolsos elevados.
A partir da compra, o investidor tem duas opções. A primeira é deixar seu ouro guardado na BM&F ou em algum banco cadastrado pela bolsa para tanto. Quem guarda o ouro é chamado de custodiante, e cobra uma taxa por isso – a taxa de custódia, que é bastante familiar para quem já investe em ações. Além disso, ao adquirir o metal, o investidor também contrata um seguro – afinal de contas, em um caso extremo, alguém pode roubar o banco e, por tabela, o ouro ali depositado.
A outra opção é receber fisicamente o ouro - isto é, literalmente pegar as barras. Nesse caso, o principal inconveniente é a segurança. Alguém saindo de um banco com duas ou três barras de ouro está tão ou mais sujeito a ser assaltado do que uma pessoa que sacou algumas notas de real no caixa automático. Deixar o ouro no cofre de casa também expõe o investidor ao mesmo risco de ser assaltado e ver suas jóias e outros bens levados.
O outro custo envolvido na compra de ouro é o pagamento pelos serviços da corretora. Ao dar a ordem de compra, o investidor deve desembolsar um percentual do valor total envolvido na transação, de acordo com a corretora. Essa porcentagem envolve a taxa de corretagem, emolumentos e outros custos da instituição.
Venda e impostos
Para vender o metal, o investidor passará por uma de duas situações. A mais complicada é ele ter recebido fisicamente as barras. Neste caso, para voltar a vender o metal na BM&F, precisará primeiro contratar uma empresa especializada em certificar a qualidade e a autenticidade do metal, a fim de evitar fraudes. O preço não é baixo. Na média, esses especialistas cobram 2% do valor envolvido. Com o certificado de autenticidade, procura sua corretora, dá a ordem de venda e, uma vez fechado o negócio, entrega o metal em algum banco combinado.
Se o ouro ficou todo o tempo sob custódia da BM&F ou de alguma instituição, o caminho é mais simples. Basta ligar para a corretora e mandar vendê-lo. Em qualquer situação, haverá o custo da corretora. O investidor recebe pela venda no dia seguinte ao fechamento da operação (em D+1).
O único imposto pago por quem investir em ouro é o Imposto de Renda. A alíquota é sobre o lucro da operação. Ao contrário de algumas aplicações, em que a própria corretora já deposita o dinheiro na conta do investidor (líquido de impostos), no caso do ouro cabe à pessoa a tarefa de declará-lo.
Pequenos investidores
Mas não é necessário ter milhares de reais para incorporar o ouro ao seu repertório de investimentos. Também é possível aplicar no metal através do chamado mercado de balcão. Nesse mercado, é permitido investir em qualquer quantidade de ouro – até mesmo em um grama. Esse mercado é formado por corretoras especializadas em negociar o metal. A vantagem é justamente a flexibilidade de adequar o investimento ao tamanho do bolso do aplicador. Isso significa que, com pouco dinheiro (o custo de um grama), já é possível entrar no jogo.
Comprar ouro no balcão é como comprar dólar na casa de câmbio: não há uma taxa de corretagem. O lucro da corretora vem do spread entre o preço que ela paga pelo metal e aquele pelo qual o revende ao investidor. A desvantagem é que, geralmente, o ouro comprado no balcão tem entrega física – ou seja, a pessoa sai da instituição com alguns gramas de ouro na pasta. Para compensar o risco de ser assaltado e perder o investimento, o aplicador precisa se preocupar com a contratação de seguro e aluguel de um cofre em algum banco, por exemplo, para guardar seu patrimônio.
Se quiser vender o metal, terá de transportá-lo novamente até a corretora especializada. A vantagem é que o pagamento é feito à vista, no mesmo dia, em vez de no dia seguinte. O Imposto de Renda segue as mesmas regras do ouro negociado na BM&F.
Precificação
Diferentemente de outros ativos, o preço do ouro não depende unicamente do aumento ou diminuição de sua produção, pois ele é diretamente afetado pela conjuntura econômica mundial. Os países que dispõe de grandes reservas de ouro colocam e retiram o ouro do mercado de acordo com suas necessidades econômicas e financeiras.
Assim, o seu preço depende da instabilidade política dos países produtores, a atuação de investidores e especuladores no mercado internacional, do preço do petróleo, do mercado de câmbio, da inflação, da perspectiva de produção futura, das jazidas em atividade, etc...
O mercado de ouro no Brasil é recente e tomou impulso em 1982. As negociações até então não apresentavam um esquema organizado. Em 1986, a BM&F criou mecanismos de negociação de ouro, tornando-o uma forma alternativa e interessante de investimento.
Historicamente mantém-se vinculado aos preços de Londres e Nova York. É determinado principalmente pelo preço praticado na Comex, como já foi mencionado anteriormente.
As cotações são feitas em reais por grama de ouro puro. Converte-se a onça troy em gramas (1 onça = 31,1035 gr). Converte-se o dólar em reais pela cotação do mercado paralelo.
Riscos
Reserva de valor consagrada desde a Antiguidade, o ouro também é uma aplicação de risco, sujeito a reveses. Ter ouro não é garantia de que você ficará mais rico a cada dia. Como todo ativo, em alguns momentos, se a oferta for muita, o preço pode cair. Mas a flutuação tende a ser mais amena que o de outros investimentos, como as ações
Além disso, como todo investimento, é preciso conhecer o mercado. Muitos consultores financeiros afirmam que o ouro é um tipo de aplicação recomendado para investidores experientes, por causa da variação diária da cotação. Como o ouro é negociado mundialmente, a formação de seu preço segue os mesmos princípios do de qualquer commodity. Por isso, outro perigo para quem investe em ouro é o risco cambial. Como o preço é ditado pelo mercado mundial, oscilações negativas no dólar podem derreter os ganhos de quem investiu reais no ouro.
Mas, em momentos de crise, os números deixam claro que o metal é uma das opções para se proteger. Para quem está cansado da montanha-russa em que se transformou o mercado financeiro, esta pode ser uma opção relativamente segura.
Especificações do Contrato Futuro de Ouro 250 Gramas
1. Objeto de negociação
Ouro fino, sob forma de lingote, fundido por empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas credenciadas pela BM&F.
2. Cotação
Reais por grama, com até três casas decimais.
3. Variação mínima de apregoação
R$0,001 por grama.
4. Oscilação máxima diária
5% sobre o valor do terceiro vencimento em aberto, calculados sobre o preço de ajuste do pregão anterior.
Os dois primeiros vencimentos abertos à negociação não estão sujeitos a limites de oscilação.
A Bolsa poderá, a qualquer momento, alterar os limites de oscilação, bem como sua aplicação aos diversos vencimentos, inclusive para aqueles que habitualmente não têm limites.
5. Unidade de negociação
Lote padrão de 250 gramas de ouro fino.
6. Meses de vencimento
Todos os meses.
7. Número de vencimentos em abertos
No máximo doze.
8. Data de vencimento e último dia de negociação
Último dia útil do mês anterior ao mês de vencimento.
9. Day trade
São admitidas operações de compra e venda para liquidação diária (day trade), desde que realizadas no mesmo pregão, pelo mesmo cliente (ou operador especial), intermediadas pela mesma corretora de mercadorias e registradas pelo mesmo membro de compensação. Os resultados auferidos nessas operações são movimentados financeiramente no dia útil seguinte ao de sua realização.
10. Ajuste diário
As posições em aberto ao final de cada pregão serão ajustadas com base no preço de ajuste do dia, estabelecido no call de fechamento, conforme regras da Bolsa, com movimentação financeira em D+1.
O ajuste diário será calculado de acordo com as seguintes fórmulas:
a) ajuste das operações realizadas no dia AD = (PAt- PO) x 250 x n
b) ajuste das posições em aberto no dia anterior AD = (PAt- PAt-1) x 250 x n
onde:
AD = valor do ajuste diário;
PAt = preço de ajuste do dia;
PO = preço da operação;
n = número de contratos;
PAt-1 = preço de ajuste do dia anterior.
O valor do ajuste diário, se positivo, será creditado ao comprador e debitado ao vendedor; caso o valor seja negativo, será debitado ao comprador e creditado ao vendedor.
11. Condições de liquidação no vencimento
A liquidação física pelo vendedor será realizada no dia útil seguinte ao último dia de negociação, com a entrega de 249,75 gramas de ouro fino, contido em lingotes de 250 ou 1.000 gramas, com teor de pureza de no mínimo 999,0 partes de ouro fino para cada 1.000 partes de metal, ou em lingotes de 100 ou 400 onças, com teor de pureza de no mínimo 995,0 partes de ouro fino para cada 1.000 partes de metal.
A liquidação financeira pelo comprador será efetuada no dia útil subseqüente ao último dia de negociação, com o pagamento do valor de liquidação definido pela seguinte fórmula:
VL = P x 249,75 onde:
VL = valor de liquidação por contrato;
P = preço de ajuste do último dia de negociação.
12. Hedgers Fundidores e fornecedores de ouro, joalherias, mineradoras e empresas assemelhadas, a critério da Bolsa.
13. Margem de garantia
Valor fixo por contrato, devida em D+1, com redução de 20% para hedgers. A margem de garantia é alterável a qualquer momento, a critério da Bolsa.
14. Ativos aceitos como margem
Dinheiro, ouro e, a critério da Bolsa, títulos públicos e privados, cartas de fiança, apólices de seguro, ações e cotas de fundos fechados de investimento em ações.
15. Custos operacionais
• Taxa operacional básica
Operação normal: 0,25%; day trade: 0,1%.
A taxa operacional básica, sujeita a valor mínimo estabelecido pela Bolsa, é calculada sobre o preço de ajuste do pregão anterior do primeiro vencimento em aberto.
• Taxa de liquidação no vencimento
0,3% sobre o valor de liquidação.
• Taxas da Bolsa (emolumentos e contribuição para o Fundo de Garantia)
6,32% da taxa operacional básica ou da taxa de liquidação no vencimento.
• Taxa de registro Valor fixo divulgado pela BM&F.
Os custos operacionais são devidos no dia útil seguinte ao de realização da operação no pregão.
Os sócios efetivos pagarão no máximo 75% da taxa operacional básica e da taxa de liquidação no vencimento, e 75% dos demais custos operacionais (taxas de registro e da Bolsa). Os investidores institucionais pagarão 75% das taxas de registro e da Bolsa.
16. Normas complementares
Fazem parte integrante deste contrato a legislação em vigor e as normas e os procedimentos da BM&F, definidos em seus Estatutos Sociais, Regulamento de Operações e ofícios circulares, bem como no Protocolo de Intenções entre as bolsas de valores, de mercadorias e de mercados de liquidação futura, de 25.5.88, observadas, adicionalmente, as regras específicas do Banco Central do Brasil.
OFÍCIO CIRCULAR 133/94-SG, DE 30.6.94
(Fonte: BM&F)
Vencimentos Autorizados (OZ1)
V09 - Outubro 2009
X09 - Novembro 2009
Z09 - Dezembro 2009
F10 - Janeiro 2010
G10 - Fevereiro 2010
Liquidez
No mercado internacional, a crise também mexeu com a demanda – houve alta de 45% -- pelo ouro no terceiro trimestre de 2008, segundo o World Gold Council, no relatório Gold Demand Trends (Tendência da Demanda por Ouro). Mas, no Brasil, os negócios são limitados, o que faz com que a liquidez seja baixa.
Nas operações na BM&F, a quantidade de contratos abertos nas opções s/ disponível – que têm preços de exercício (R$/g) entre 52 e 70 reais – para vencimento em NOV2009, é bem maior que nos contratos futuros.
Hoje (03/09/09) são apenas 80 posições abertas entre as DTVMs e Corretoras e as PJ não-financeiras. Nas opções o número de contratos chega a 24 mil.
No passado, quando não havia no Brasil um mercado de dólar futuro – como o atual na Bolsa de Mercadorias e Futuros – a compra de ouro representava uma espécie de aplicação em dólar, além de uma proteção contra a inflação. Com a estabilidade do real e os preços sob controle, a demanda caiu.
Apesar da alta do ativo, as negociações com contratos de ouro padrão (250g) foram maiores no início do ano passado, com 140 negócios em janeiro, contra 122 no mês de novembro. Já na comparação entre 2007 e 2008, o aumento de negócios é mais significativo. De janeiro a dezembro de 2007, ocorreram 9.118 negócios, enquanto no mesmo período de 2008, passou de 12 mil contratos. Mas nada comparado com os 92.357 contratos de 2000.
Além destes tipos de aplicação, existem gestoras de fundos internacionais que oferecem a possibilidade da compra de quotas de seus produtos financeiros, ou mesmo bancos nacionais que oferecem algum tipo de serviço para investimentos no metal. Informe-se com o seu gerente.
Uma distribuidora brasileira especializada em negociação com ouro é a Ourominas, que possui inclusive uma loja virtual de fácil acesso.
Referências: BM&F, EXAME, AE Investimentos, Infomoney, Ourominas