Aprendizados

Minicontratos futuros da BM&F

09/09/2008


Saiba como a BM&F pode proteger seus investimentos na Bovespa

 

 

Investidor pode utilizar os minicontratos de Ibovespa para minimizar perdas em momentos de turbulência na Bolsa

 

 

Quem por algum motivo se viu obrigado a resgatar os investimentos que possuía em ações em um dia de queda acentuada na Bolsa, não teve como escapar dos prejuízos. Os especialistas são unânimes ao aconselhar os investidores a aplicar no mercado acionário somente os recursos que não serão necessários no curto prazo e a não sacá-los em momentos de instabilidade.

 

 

Mas sempre há casos de investidores que necessitam do dinheiro para uma emergência exatamente na hora em que a Bolsa passa por seu pior período de queda, e não lhes resta outra alternativa a não ser conformar-se com a perda.

 


Com planejamento, no entanto, é possível evitar que situações como essa sejam sinônimo de grandes prejuízos. Um dos caminhos é a utilização dos minicontratos de Ibovespa, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), como instrumento de proteção contra a desvalorização das ações. O investidor pode montar uma estratégia de investimento que, em caso de queda do Ibovespa, permita compensar as perdas no mercado à vista com ganhos no mercado futuro.

 


Imagine que você tenha 100.000,00 reais aplicados em um fundo de ações que varia na mesma proporção do Ibovespa – ou seja, se o Ibovespa cai 1%, o fundo perde 1%. Para proteger esses recursos, você pode recorrer à BM&F e vender minicontratos de Ibovespa em determinada data futura – ou seja, se comprometer a negociar no futuro o Ibovespa por um preço predefinido. Caso o Ibovespa caia, você perderá dinheiro no fundo, mas ganhará com os minicontratos, uma vez que estará negociando o Ibovespa a um valor acima da atual cotação.

 


Na BM&F, os minicontratos de Ibovespa são padronizados, equivalendo a 20% de um contrato-padrão. Assim, para saber quanto vale um minicontrato de Ibovespa, basta multiplicar os pontos do Ibovespa futuro por 0,20 reais. Se o Ibovespa futuro estiver cotado a 50.000 pontos, por exemplo, cada minicontrato será equivalente a 10.000 reais. Logo, para proteger uma carteira de 100.000 reais serão necessários dez contratos.

 


Realizar uma operação de hedge (proteção) perfeita no mercado futuro, no entanto, é inviável. Os custos de operação, tributos e a composição da carteira a ser protegida não permitem que o risco seja totalmente eliminado, mas pode ser bastante reduzido. Se o investidor possui uma carteira composta por apenas algumas ações do Ibovespa, deverá observar qual a representatividade dessas ações no índice. Se for de 50%, por exemplo, ele deverá negociar minicontratos no valor equivalente a 50% de suas aplicações, ir acompanhando dia-a-dia se esse volume está sendo suficiente para proteger seus investimentos e fazendo os ajustes necessários.

 


Suponha que no dia 15 de agosto você tenha investido 100.000 reais em ações da Petrobras, 50.000 em ações da Vale do Rio Doce e 50.000 reais em ações do Bradesco. Em agosto, essas três empresas representavam 12,75% do Ibovespa. Por isso, para proteger sua carteira de ações, você teria de investir 25.500 reais (12,75% x 200.000 reais) em minicontratos de Ibovespa na BM&F – o que corresponderia a três minicontratos.

 


No dia 16 de agosto, se você precisasse resgatar os recursos (pela cotação de fechamento), contabilizaria 4000 reais de prejuízo em sua carteira de ações e ganhos de 720 reais no mercado futuro. Ou seja, teria minimizado suas perdas em 18,3%. Já se o resgate fosse feito no dia 22 de agosto, quando a Bovespa subiu quase 4%, você teria ganho 9.000 em ações e perdido 1680 reais no mercado futuro. Portanto, teria deixado de ganhar 18,80%, em função do hedge. No site da BM&F é possível simular operações como esta.

 


Os especialistas detêm conhecimentos aprimorados que permitem considerar diversos fatores para cálculo da quantidade de contratos necessários para proteger uma carteira. Esse número muda várias vezes durante o dia, de acordo com as oscilações do mercado. Por isso, os pequenos investidores, ao operar no mercado futuro, precisam estar dispostos a abrir mão de parte dos ganhos em troca da redução das perdas em momentos de turbulência.

 

 

Fazendo a simulação acima uma vez por semana, o investidor conseguirá visualizar quando será necessário negociar mais ou menos contratos para proteger a carteira. No exemplo citado, se o investidor aumentasse a quantidade de contratos, minimizaria mais as perdas no caso de uma queda da Bovespa, mas também deixaria de ganhar um percentual maior se o resgate ocorresse em um momento de alta da Bolsa.

 

 


Como negociar

 


Para operar minicontratos na BM&F, o investidor deverá primeiramente abrir uma conta junto a uma das corretoras autorizadas – a relação encontra-se disponível o site da BM&F (www.bmf.com.br). Em seguida, deverá depositar nesta conta, no mínimo, a quantia exigida para cobertura das margens de garantia dos contratos que serão negociados. Para descobrir esse valor, basta multiplicar a margem de garantia exigida pela BM&F (informado no site da Bolsa) pelo número de contratos que serão negociados.

 

 

Hoje, a margem de garantia é de 1740 reais por minicontrato de Ibovespa, mas esse valor pode ser modificado a qualquer momento pela BM&F.

 

 


A partir de então, o investidor poderá acessar o WebTrading, sistema eletrônico de negociação de minicontratos da BM&F, e realizar a compra e venda de contratos. A cada final de pregão, a Bolsa fará os ajustes nos contratos de acordo com a variação do dia. Assim, quem teve seu contrato valorizado receberá a diferença entre a cotação de fechamento do dia anterior e a do dia em questão, e quem teve o contrato desvalorizado deverá pagar a diferença, depositando o valor correspondente na conta junto à corretora, caso o saldo não seja suficiente para cobrir a despesa.

 

 

Dessa forma, ao término do prazo, as posições de ganhos e perdas já terão sido contabilizadas durante todo o período de vigência do minicontrato. É importante o investidor lembrar que sempre precisará ter à disposição os recursos necessários para cobrir os ajustes diários. Caso contrário, correrá o risco de ter seu contrato encerrado pela BM&F.

 

 

Apenas os contratos com vencimento mais próximo da data atual têm liquidez para serem negociados pelos pequenos investidores. Por isso, o investidor precisa refazer sua estratégia de proteção a cada dois meses, em média. Para não ficar descoberto, os especialistas aconselham renovar a posição dois dias antes do vencimento (que acontece sempre em meses pares, na quarta-feira mais próxima do dia 15). Para isso, o investidor deverá anular sua posição "vendida" comprando minicontratos de Ibovespa na mesma proporção. Ou seja, se ele negociava a venda de dez minicontratos de Ibovespa para proteger sua carteira, deverá comprar dez minicontratos com o mesmo prazo de vencimento.

 

 

Para remontar a operação de hedge, o investidor deverá novamente vender minicontratos de Ibovespa, dessa vez com o novo vencimento. A estratégia será repetida sucessivas vezes, até o momento em que o investidor decidir resgatar os recursos investidos no fundo ou na carteira de ações. Nesta ocasião, ele deverá novamente comprar os minicontratos para anular sua posição no mercado futuro, liquidando de vez suas operações na BM&F.

 

 

Entenda os minicontratos de Ibovespa

 

 

Tamanho: 20% do contrato-padrão

 

Valor: R$ 0,20 vezes os pontos do Ibovespa futuro

 

Vencimento: todos os meses pares, na quarta-feira mais próxima do dia 15

 

Margem de garantia por minicontrato: R$ 1.740,00

 

Custos: varia de corretora para corretora, mínimo de R$ 2 por minicontrato

 

Código de negociação: é formado por letras e números, que exprimem o tipo, mês e ano de vencimento.

 

Um minicontrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2008, por exemplo, apresenta o código WINV8 no sistema da BM&F. As três primeiras letras (WIN) indicam que se trata de um minicontrato de Ibovespa.O "V" representa o mês de outubro e o "8" o ano de vencimento do contrato.

 

 

Veja na tabela abaixo as letras que representam cada um dos meses.


Janeiro: F

                        Julho: N

Fevereiro: G

                        Agosto: Q

Março: H

                        Setembro: U

Abril: J

                        Outubro: V

Maio: K

                        Novembro: X

Junho: M

                        Dezembro: Z

 

 

Editado de artigo por Francine de Lorenzo; Revista EXAME





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