Aprendizados

Hedge Funds

09/06/2008


 

Muito mais por falta de conhecimento de seu funcionamento, muitos investidores geralmente associam este termo a investimentos especulativos e de risco elevado, onde os ganhos podem ser estelares, mas as perdas ainda mais significativas.


Porém, este pode não ser o caso. Hedge funds podem ser definidos como fundos que adotam um número de estratégias que não podem ser adotadas por fundos tradicionais de investimento, mas isso não implica necessariamente se são mais ou menos arriscados.


De fato, a variedade de estratégias que podem ser adotadas acaba dificultando a comparação, pois, dentro da própria categoria de hedge funds, não existe uma linha única de atuação.

 

Breve história


Outro erro comum é acreditar que os hedge funds foram uma criação da desregulamentação financeira das décadas de 80 ou 90. O conceito foi criado no final da década de 40 por um australiano radicado nos EUA, Alfred Jones, que decidiu reduzir o risco de sua carteira de ações através de posições vendidas em outras ações.


Para quem não está familiarizado com o conceito, uma posição vendida no mercado de ações indica que o investidor vendeu as ações a descoberto, ou seja, que não possuía, acreditando em uma queda de suas cotações. Assim, ao manter uma posição comprada em ações que ele acreditava que tinham bom potencial e vendida em papéis nos quais estava pessimista, Jones acabou reduzindo a sua exposição ao mercado de ações.


Estava criada o que hoje é conhecida como a estratégia long/short no mercado de ações. Trabalhando tanto com posições compradas como vendidas, Jones reduzia seu risco, pois, caso o mercado como um todo caísse, ele ganharia ao menos em parte de suas posições (no caso, as vendidas, ou short).


Com esta estratégia, que não passa de uma forma de tomar uma espécie de seguro, ou hedge, contra uma reação adversa do mercado, Jones criou o conceito de investimentos que acabou incorporando um de seus objetivos: o hedge fund.

 

Mas por que a conotação de alto risco?


Mas se a estratégia de investimentos adotada reduzia os riscos, por que a associação dos hedge funds com risco elevado? A resposta é simples: esta pode não ser a única estratégia adotada por um hedge fund. Por exemplo, muitos hedge funds adotam estratégias que envolvem alavancagem, ou seja, o uso de derivativos para multiplicar o desempenho do fundo.


Foi exatamente a adoção de estratégias mais agressivas que levou muitos hedge funds a fortes perdas no final da década de 60 e início da década de 70 nos EUA, com o fim da "moda" por estes investimentos. Isso até 1986, quando o desempenho do Tiger Fund trouxe os hedge funds de volta aos holofotes.

 

Crescimento acelerado


Desde então, apesar da monumental derrocada do Long Term Capital Management em 1998 e do próprio Tiger em 2000, a indústria de hedge funds tem mostrado forte crescimento. A estimativa é que, somente nos EUA, cerca de US$ 1 trilhão esteja investido nestes fundos, com um crescimento anual na faixa de 20% ao ano e com quase 9.000 fundos em operação.


Boa parte do forte crescimento desta indústria, curiosamente, se deveu ao bom desempenho, relativamente aos fundos tradicionais de ações, dos hedge funds em 2000 a 2002, anos de forte queda das bolsas norte-americanas. Com estratégia de redução do risco de mercado, muitos destes fundos conseguiram se posicionar de forma a bater o desempenho dos índices acionários, como o S&P 500.


No Brasil, o conceito também tem se tornado cada dia mais popular, com o surgimento de diversos hedge funds adotando estratégias diferenciadas tanto no mercado de renda variável como de renda fixa. Muitos dos hedge funds brasileiros, seguindo tendência registrada nos EUA, acabam virando foco de investimento de outros fundos, os chamados "fundos de fundos", que são mais populares e disponíveis até para os investidores de varejo.

 

Diversas modalidades


Além das estratégias de long/short e de maior alavancagem, existem outras que podem ser adotadas de forma isolada ou conjunta pelos hedge funds. Dentre outras, podem ser citadas a arbitragem entre ativos ou mercados, venda a descoberto, investimentos em ações de empresas próximas ao colapso (distressed securities) ou em mercados emergentes, e aplicação de curto prazo em oportunidades (novas ofertas de ações, por exemplo).


Com tantas opções, fica claro que não existe uma linha única entre os hedge funds, tanto em termos de risco como expectativas de rentabilidade. Portanto, cabe ao investidor identificar, junto aos gestores destes fundos, qual a estratégia adotada e buscar classificá-la em duas linhas básicas, ao menos do ponto de vista de risco: direcionais, geralmente mais agressivos, ou neutros em relação ao mercado, mais conservadores.


Uma alternativa também é analisar gestores que trabalham com o conceito de "fundos de fundos", ou seja, os fundos que oferecem são uma carteira de outros fundos, muitos dos quais hedge funds. Nesta hora, porém, vale a pena analisar as taxas de administração e performance, que podem ficar bem acima dos fundos tradicionais.

Fonte: Infomoney





Confira também o nosso FAQ (Questões mais Frequentes).