Aprendizados

AT: Teoria de Dow

05/06/2008




 

 

Charles Dow e seu sócio Edward Jones fundaram a "Dow Jones & Company" em 1882. Muitos analistas técnicos e estudantes do mercado concordam que, o que chamamos hoje de análise técnica tem a sua origem na teoria proposta por Dow, apesar de traders japoneses já usarem, nas Bolsas de Mercadorias, gráficos muitos anos antes de Dow ter descrito sua teoria. Dow publicou suas idéias em uma série de artigos que ele escreveu para "The Wall Street Journal".

 


Em julho de 1884, Dow publicou o primeiro índice do mercado de ações, o qual era composto por 11 ações: nove empresas do setor ferroviário e 2 industriais. Dow afirmava que estas 11 ações forneciam uma boa indicação da "saúde" da economia do país.

Infelizmente, Dow nunca escreveu um livro sobre sua teoria. Em 1903, um ano após sua morte, Samuel Nelson compilou os artigos publicados por Dow no livro "The ABC of Stock Speculation", o qual originou o termo Teoria de Dow.

Em 1922, Willian Peter Hamilton, sucessor de Dow no "The Wall Street Journal", organizou e publicou os princípios de Dow no livro "The Stock Market Barometer".



Crítica a Teoria de Dow


Alguns analistas alegam que esta teoria é atrasada em suas indicações de quando comprar ou vender. O sinal de compra através da teoria de Dow, geralmente ocorre na segunda fase de uma tendência de alta, tão logo o preço de fechamento rompe o topo mais recente.

Em resposta a esta crítica, deve-se lembrar que Dow nunca teve a intenção de antecipar a tendência do mercado.



A Teoria


Os pontos básicos da Teoria de Dow são:



* 1. Os índices descontam tudo. Todos os possíveis fatores que afetam a cotação dos preços dos ativos (ações) são descontados por esses índices que consideram todas as notícias, resultados contábeis e financeiros, acidentes e etc.

* 2. Os mercados se movem em tendências. As tendências podem ser de alta ou de baixa. Por sua vez, as tendências podem ser primárias, secundárias e terciárias, segundo sua duração.

* 3. Princípio de confirmação. Para confirmar uma tendência é necessário que os índices coincidam com a tendência.

* 4. Volume convergente. Se o mercado está em uma tendência de alta o volume aumentará, se em tendência de baixa o volume diminuirá.

* 5. Utiliza as cotações de fechamento para o cálculo das médias. Não leva em conta os máximos e mínimos para o cálculo de seus índices.

* 6. A tendência é vigente até que seja substituída por outra oposta. Até que os índices se confirmem, considera-se que a tendência antiga segue em vigor, apesar dos sinais aparentes de mudança. Este princípio procura evitar a prematura troca de posição (comprada ou vendida).



A teoria de Dow considera o mercado de títulos variáveis sob um ponto de vista exterior ao próprio mercado. As leis que permitem extrair as previsões de tendências de preços, em mercado, não explicam a formação dos seus indicadores, ou seja: a teoria diz que, antes de todo impulso do mercado, quer para uma alta, quer para uma baixa, aparecem "formações" identificáveis que os sinalizam. Entretanto, nada explica sobre o processo de geração dessas "formações" e, muito menos, sobre as leis internas dos movimentos oscilatórios que descrevem. Apenas limita-se a argumentar que uma alta é equivalente a uma pressão de demanda, e uma baixa, uma pressão de oferta.

 

 

A teoria nos fornece as indicações quanto às tendências e sinaliza os impulsos dos preços em seus movimentos de alta e baixa.



Independente da limitação apontada, a teoria de Dow, associada aos gráficos, tem-se mostrado extremamente útil aos investidores dos mercados de ações, e mesmo aos de commoditties e derivativos.



A teoria de Dow está voltada para a identificação das tendências principais do mercado e para as indicações de reversão dessas tendências. Para tanto, utiliza-se de técnicas de traçado de linhas de tendências, da identificação de formações que sinalizam essas tendências, do estudo em termos de oferta/demanda, das descontinuidades nas cotações dos ativos (gaps), e de seus níveis máximos e mínimos atingidos em passado imediato, que se transformam em suporte e resistência.

 

 



O mercado apresenta movimentos oscilatórios de 3 amplitudes distintas:



a) Longo prazo, compreendendo períodos de 1 ano ou mais;
b) Médio prazo, com duração que vai de 3 semanas a 1 ano;
c) Curto prazo que compreende oscilações com duração de 6 dias a 3 semanas.



 

A esses movimentos de longo prazo, médio prazo e curto prazo designamos de tendência primária, secundária e terciária, respectivamente.



A tendência primária é a tendência principal de um mercado. É um movimento longo que pode ser de alta ou de baixa ou lateral, e que leva a uma grande valorização ou desvalorização do ativo ou variação dentro de uma faixa de preço. Não existem regras matemáticas para definir o tempo de duração das tendências.

 



As tendências não se movimentam em linha reta. Ao observarmos o comportamento do mercado, percebemos que o movimento dos preços acontece como um zig-zag ou em forma de ondas. Em um mercado de alta, após um impulso para cima que forma um novo topo, temos uma correção que forma um novo fundo. Em uma tendência de baixa o oposto acontece; após uma queda que forma um fundo mais baixo, acontece uma reação que cria um topo mais baixo.



O conjunto desses impulsos e correções dentro de uma tendência primária, forma a chamada tendência secundária. Uma tendência secundária dura de 3 semanas a 1 ano e pode corrigir, isto é, recuar até 66% da tendência primária da qual faz parte. No entanto, se superar os 66%, podemos afirmar que a tendência primária sofreu reversão, iniciando uma tendência de baixa.



As tendências terciárias fazem parte das secundárias. São movimentos menores de, em média, até 3 semanas.



Quando estamos analisando o mercado, é interessante classificar as tendências do movimento atual; assim, podemos avaliar melhor as ações a serem tomadas dentro de nossa estratégia operacional.



Diz-nos a teoria de Dow que, se um segundo movimento, em sentido contrário à tendência primária, não anular mais de 66% do último impulso (movimento anterior), então se trata de uma tendência secundária de correção. Diz mais, o intervalo de correção para a tendência secundária situa-se entre 33% e 66% do último movimento que leva de uma correção secundária anterior até a que se está testando.



Concluída a fase de alta perceptível, quando a alta é sinalizada e confirmada, as quantidades negociadas apresentam elevações consideráveis.



Na terceira etapa, designada na teoria de Dow, por etapa de euforia, as quantidades negociadas se elevam e as informações sobre o papel vão ganhando plena transparência até atingir o pleno ajuste do preço ao seu conteúdo. A aceleração do movimento de alta (euforia) tende a diminuir à medida que o tempo passa e o preço tende para seu nível ajustado, quando então se inicia um processo de realização de posições adquiridas nas fases precedentes, formando os níveis de resistência à elevação de seu preço. Esses níveis de resistência são crescentes, o que determina a desaceleração do movimento de alta. Por fim, é atingido o nível máximo de resistência, definido como o limite superior que o preço do papel pode atingir sem que a pressão de oferta seja dominante. Este processo em sua fase final é chamado de "overbought" (supercomprado).

 

 

 



Nesse ponto termina o movimento de euforia, e tem lugar a apreensão. O grupo "por dentro", que já iniciou suas realizações de lucros, dentro da mesma estratégia de dissimulação, se torna mais agressivo, e tem-se o início de uma avaliação dos preços, que é a etapa de distribuição (a distribuição é um movimento lateral). O "dinheiro esperto", isto é, aquele que entra primeiro e sai primeiro, começa a constatar que os fundamentos não são tão bons e inicia o processo de venda de forma suave, sem pressionar os preços para baixo. A segunda fase da tendência de baixa começa a ser delineada, pois os "traders" estão vendendo. Na última fase, temos o pânico, com a presença de notícias altamente pessimistas e o público tentando se desfazer de suas posições a qualquer preço.


Os índices devem confirmar a sinalização

 

Conforme dito anteriormente, Dow afirmava que um conjunto de ações fornece uma boa indicação da "saúde" do mercado e, por este motivo, publicou um índice composto por 11 ações (9 ferroviárias e 2 industriais). Abrimos um parêntese para uma explicação: quando Dow desenvolveu sua teoria, um dos setores de prestígio nas Bolsas era o ferroviário, por estar em processo de crescimento contínuo, na esteira do crescimento dos Estados Unidos para o interior do país. Atualmente este setor não é negociado nas Bolsas de Valores, tendo sido substituído por setores mais modernos, como o da tecnologia de ponta.

 


O volume deve confirmar a tendência

 

Se o mercado é de alta, o volume deve ser crescente, para se ter confiança neste movimento; nas correções o volume deve ser menor (decrescente). Da mesma forma, numa tendência de baixa o volume deve ser alto quando os preços caem, e baixo quando os preços sobem.

 


Uma tendência prossegue até se ter uma indicação contrária

 

Este é um princípio muito importante na análise técnica, a. Apesar de que, devido a ele, o analista não aproveita tanto o começo de uma tendência quanto uma parte significativa do seu término, por entrar e sair geralmente um pouco atrasado. A verdade é que não existe uma fórmula mágica ou um método que permita a entrada exatamente no preço mínimo e a saída exatamente no preço máximo, ou vice-versa. No entanto, é possível criar uma estratégia para comprar na baixa e vender na alta, idéia defendida pelo Barão de Rothschild.





Confira também o nosso FAQ (Questões mais Frequentes).