Aprendizados

Antes de Investir em Renda Variável

27/04/2008


 

O que um iniciante precisa saber:

Introdução

 

Quanto mais desenvolvida é uma economia, mais ativo é o seu mercado de capitais, o que se traduz em mais oportunidades para as pessoas, empresas e instituições aplicarem suas poupanças.

 

Ao abrir seu capital, uma empresa encontra uma fonte de captação de recursos financeiros permanentes. A plena abertura de capital acontece quando a empresa lança suas ações ao público, ou seja, emite ações e as negocia nas bolsas de valores.

 

E você, ao adquirir ações, passa a ser também sócio da empresa - um acionista.

 


O que é uma Companhia Aberta?

 


Uma companhia é considerada aberta quando promove a colocação de valores mobiliários em bolsas de valores ou no mercado de balcão. São considerados valores mobiliários: ações, bônus de subscrição, debêntures, partes beneficiárias e notas promissórias para distribuição pública.

 

Ações: títulos nominativos negociáveis que representam, para quem as possui, uma fração do capital social de uma empresa.

 

Bônus de subscrição: títulos nominativos negociáveis que conferem ao seu proprietário o direito de subscrever ações do capital social da companhia emissora, nas condições previamente definidas.

 

Debêntures: títulos nominativos negociáveis representativos de dívida de médio/longo prazos contraída pela companhia perante o credor, neste caso chamado debenturista.

 

Outros títulos menos usuais: partes beneficiárias e notas promissórias para distribuição pública com ampla divulgação.

 


As operações de abertura de capital precisam ter autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão fiscalizador do mercado de capitais brasileiro, o qual também registra e autoriza a emissão dos valores mobiliários para distribuição pública. As companhias abertas devem atender a diversos requisitos, definidos na Lei das S.As. e nas regulamentações da CVM, com o objetivo de garantir a confiabilidade das informações e demonstrações financeiras divulgadas. O mercado considera que a plena abertura de capital ocorre quando há o lançamento de ações ao público, em função das transformações impostas à empresa e pelo incremento no volume de negócios com seus títulos.

 

 

O que são Ações?

 

Ações são títulos nominativos negociáveis que representam, para quem as possui, uma fração do capital social de uma empresa. Ação é um pedacinho de uma empresa.


Com um ou mais pedacinhos da empresa, você se torna sócio dela.

 

Quais são os tipos de ação?

 

As ações podem ser:


* ordinárias, que concedem àqueles que as possuem o poder de voto nas assembléias deliberativas da companhia; ou

* preferenciais, que oferecem preferência na distribuição de resultados ou no reembolso do capital em caso de liquidação da companhia, não concedendo o direito de voto, ou restringindo-o.

 

As ações, ordinárias ou preferenciais, são sempre nominativas, originando-se do fato a notação ON ou PN depois do nome da empresa.

 

Podem ainda adotar duas formas:


* nominativas registradas, quando há um registro de controle de propriedade feito pela empresa ou por terceiros, podendo ou não haver emissão de certificado; ou

* escriturais nominativas, quando há a designação de uma instituição financeira credenciada pela CVM, que atua como fiel depositária dos títulos, administrando-os via conta corrente de ações.

 

As ações também podem ser diferenciadas por classes: A, B, C ou alguma outra letra que apareça após o "ON" ou o "PN". As características de cada classe são estabelecidas pela empresa emissora da ação, em seu estatuto social. Essas diferenças variam de empresa para empresa, portanto, não é possível fazer uma definição geral das classes de ações.

 


O que são dividendos?

 

Os dividendos correspondem à parcela de lucro líquido distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, ao fim de cada exercício social. A companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido ajustado.

 

Quando uma empresa vai bem, ela divide os lucros com quem tem suas ações. Isso são dividendos.

 


E bonificações?

 

As bonificações correspondem à distribuição de novas ações para os atuais acionistas. Excepcionalmente pode ocorrer a distribuição de bonificação em dinheiro.

 


Como funcionam as subscrições de novas ações?

 

Os acionistas têm ainda preferência na compra de novas ações emitidas ou direito de preferência na subscrição. Além de garantir a possibilidade de manter a mesma participação no capital total, esse direito pode significar ganho adicional, dependendo das condições do lançamento. Por fim, se não exercido, o direito pode ser vendido a terceiros.

 


Os Mercados Primário e Secundário

 

Você sempre ouve falar em Mercado Primário e Secundário. O que significa? O Mercado Primário compreende o lançamento de novas ações no mercado, com aporte de recursos à companhia.

 

Uma vez ocorrendo o lançamento inicial ao mercado, as ações passam a ser negociadas no Mercado Secundário, que compreende mercados de balcão, organizados ou não, e bolsas de valores. Operações como a colocação inicial, junto ao público, de grande lote de ações detido por um acionista podem caracterizar operações de abertura de capital, exigindo registro na CVM. Apesar da semelhança com o mercado primário, os recursos captados vão para o acionista vendedor (e não para a companhia), determinando, portanto, uma distribuição no Mercado Secundário.

 

 

O que são Bolsas de Valores?

 

São os mais importantes centros de negociação das ações, devido ao expressivo volume e maior transparência das operações. Organizadas como associações civis, sem fins lucrativos e com funções de interesse público, as bolsas atuam como auxiliares da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e têm ampla autonomia na sua esfera de responsabilidade.

 


As Clearings - Entidades de Prestação de Serviços de Liquidação e Custódia

 

São empresas que se dedicam a gerenciar sistemas e garantias para a liquidação das operações realizadas em bolsa e para a custódia (guarda e administração dos valores mobiliários negociados em bolsa).

 

A CBLC - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia foi criada em 19 de fevereiro de 1998, com a reestruturação patrimonial da BOVESPA. A formação da CBLC representa uma resposta à necessidade do mercado brasileiro de uma estrutura moderna e eficiente de clearing, que compreenda atividades relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para os mercados a vista, a termo e de opções. A CBLC foi organizada como uma empresa que permite a participação de uma grande variedade de instituições fortes e tecnicamente estruturadas, capazes de administrar risco e atuar como Agentes de Compensação.

 


O que são Corretoras de Valores?

 

São instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central, pela CVM e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade no pregão físico (viva-voz) ou eletrônico das bolsas. Corretora de Valores é a instituição que compra e vende ações para você.

 

 

Quem são os Investidores?

 

São indivíduos ou instituições que aplicam recursos em busca de ganhos a médio e longo prazos, que operam nas bolsas por meio de Corretoras e distribuidoras de valores, as quais executam suas ordens e recebem corretagens pelo seu serviço. Investidores são os clientes das Corretoras.

 


Mercados a Vista e de Derivativos

 

As operações na Bolsa são efetuadas nos seguintes mercados:


* a Vista, no qual compradores e vendedores estabelecem um preço para um lote de ações a ser entregue e pago no prazo determinado, atualmente D+3;

* a Termo, no qual as partes fixam um preço para a liquidação físico-financeira da ação em prazo futuro determinado;

* de Opções de compra ou venda, no qual as partes negociam o direito de comprar/vender a ação a preço e prazo futuro determinados; e

* Futuro, no qual ocorre a compra ou venda de ação a um preço acordado entre as partes para liquidação em data futura específica.

 

Obs.: não é permitida a negociação nos mercados a termo via Home Broker.

 


O que é o Pregão?

 

É o recinto físico ou eletrônico onde são realizadas as negociações.

 


Como escolher uma Ação

 

As ações com o objetivo de obter ganho(s) a médio e longo prazos, em oposição a resultados imediatos, podem ser divididas em:


* "blue chips" ou de 1ª linha - são ações de grande liquidez (grande quantidade de negócios) e procura no mercado de ações por parte dos investidores, em geral de empresas tradicionais, de grande porte/âmbito nacional e excelente reputação;


* de 2ª linha - são ações um pouco menos líquidas, de empresas de boa qualidade, em geral de grande e médio portes;


* de 3ª linha - são ações com pouca liquidez, em geral de companhias de médio e pequeno portes (porém, não necessariamente de menor qualidade), cuja negociação caracteriza-se pela descontinuidade;


* de privatização - são ações de companhias colocadas no mercado por meio de leilões do Programa Nacional de Desestatização - PND. Algumas das companhias em processo de privatização podem já ter suas ações negociadas em bolsas de valores, antes mesmo daquele ser completado, tendendo a incrementar sua liquidez após a conclusão do mesmo.



A Dinâmica das Operações em Bolsa


Tipos de Ordem


Quando o investidor transmite sua ordem a uma Corretora na qual é cadastrado, esta tem o dever de executá-la prontamente, ao melhor preço disponível, desde que se trate de uma ação com liquidez - é a ordem a mercado.


Essa é a ordem mais comum, mas há várias outras modalidades. O investidor pode, por exemplo, fixar um preço determinado ou melhor para sua execução - é a ordem limitada. Ou poderá fixar apenas a quantidade de títulos, dando uma ordem administrada à Corretora, que irá executá-la a seu critério.


A fim de limitar prejuízos, o investidor pode dar a ordem fixando um preço-limite que, se alcançado pela evolução das cotações, torna a ordem a mercado - é a ordem "on stop".


Há também a possibilidade de vincular a execução de uma operação à execução de outra previamente definida e oposta (compra versus venda), no mesmo ou em diferentes mercados - é a ordem casada, que só se efetiva se executadas as duas ordens. De forma similar, há a ordem de financiamento, na qual o investidor determina a tomada de posições opostas, também no mesmo ou em outro mercado, porém, com prazo de vencimento distinto.


Obs.: a negociação via Home Broker só permite as ordens limitadas.


O investidor pode também fixar o prazo de validade de sua ordem por meio da ordem válida para o dia ou da ordem válida por prazo determinado. Expirado o prazo, a ordem é cancelada. Há ainda a ordem válida por prazo indeterminado, cuja validade só termina com a execução ou cancelamento da ordem.


Obs.: as ordens por prazo indeterminado, realizadas via Home Broker, são válidas por 30 dias.


Ordem discricionária - pela qual se estabelecem condições para sua execução agregada a outras, efetuando posteriormente a identificação de titulares, lotes e preços.



Execução


O intermediário financeiro dispõe de profissionais especializados, capacitados a dar orientações sobre investimentos, receber ordens dos investidores e transmiti-las aos operadores qualificados por ele mantidos nos pregões físicos das Bolsas; ou ainda encaminhá-las para o pregão eletrônico, o qual também pode ser acessado diretamente pelos clientes das Corretoras via Home Brokers.



Liquidação


Executada a ordem, tem lugar a liquidação física e financeira, processo pelo qual se dá a transferência da propriedade dos títulos e o pagamento/recebimento do montante financeiro envolvido, dentro do calendário específico estabelecido pela Bolsa para cada mercado.



No mercado a vista, vigora o seguinte calendário de liquidação:


D+0 - dia da operação;

D+1 - prazo para os intermediários financeiros especificarem as operações por eles executadas junto à Bolsa;

D+2 - entrega e bloqueio dos títulos para liquidação física da operação, caso ainda não estejam na custódia da CBLC;

D+3 - liquidação física e financeira da operação.



A liquidação é realizada por empresas de compensação e liquidação de negócios, que podem ser ligadas à Bolsa ou independentes. A BOVESPA utiliza a CBLC - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia para liquidar as operações realizadas em seus mercados. As Corretoras da BOVESPA e outras instituições financeiras são os Agentes de Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou para seus clientes.



Indicadores e Índices do Mercado


A BOVESPA coleta, organiza e divulga uma série de informações sobre os negócios realizados em cada pregão. Os principais indicadores referem-se a preços e volumes das ações negociadas, que traduzem a liquidez do mercado. São elaborados também índices que mostram o comportamento do mercado como um todo ou segmentos específicos.


O Índice Bovespa (Ibovespa) é o mais importante indicador do desempenho do mercado de ações brasileiro, pois retrata o comportamento das principais ações negociadas na BOVESPA. Ele é formado a partir de uma aplicação imaginária, em Reais, em uma quantidade teórica de ações (carteira). Sua finalidade básica é servir como indicador médio do comportamento do mercado. Para tanto, as ações que fazem parte do índice representam mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro negociados no mercado à vista.


O Ibovespa é uma ferramenta indispensável para quem investe em ações, quer para acompanhar o mercado quer para avaliar comparativamente o desempenho de sua própria carteira.



A BOVESPA divulga também:

* o Índice Brasil (IBrX), que mede o retorno de uma carteira de ações integrada pelas cem ações mais negociadas;


* o IBrX-50, que mede o retorno de uma carteira de ações composta pelas cinqüenta ações mais negociadas;


* o Índice de Energia Elétrica (IEE), índice setorial que mede o desempenho das ações do setor elétrico;


* o Índice Setorial de Telecomunicações (ITEL), índice setorial que mede o desempenho das ações do setor de telecomunicações (tanto telefonia fixa como celular);


* o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), que mede o desempenho de um carteira teórica composta por ações de empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa;

 

* o Índice Valor Bovespa (IVBX-2), o qual mede o retorno de carteira hipotética constituída exclusivamente por papéis emitidos por empresas de excelente conceito perante os investidores, classificadas a partir da 11ª posição, tanto em termos de valor de mercado como de liquidez de suas ações.

 





Confira também o nosso FAQ (Questões mais Frequentes).