Aprendizados

A Volatilidade

27/04/2008



A volatilidade é uma das mais importantes ferramentas para quem atua no mercado de opções, pois neste mercado estamos interessados na direção do mesmo e também na velocidade que ele vai se movimentar. Em certo sentido, a volatilidade é uma medida das oscilações do mercado.


Teoricamente, o número "volatilidade" associado ao preço de uma mercadoria é a variação de preço referente a um desvio padrão, expresso em porcentagem, ao fim de um período de tempo. O que queremos dizer com isto é que se uma ação tem um preço hoje de R$ 50,00 com volatilidade de 20% ao ano, esperamos que esta ação daqui a um ano, em média, esteja situada entre R$ 40 e R$ 60,00.


Geralmente um aumento da volatilidade vem associado com quedas nas cotações dos ativos. Costuma-se até confundir estes conceitos - quando o mercado está muito volátil significa que as baixas devem prevalecer.


Quando, em 1973, Fischer Black e Myron Scholes criaram sua fórmula para cálculo do preço (prêmio) das opções, não tinham idéia da dimensão que essa fórmula matemática atingiria no mercado financeiro internacional.


Black e Scholes criaram uma fórmula fechada que calcula o prêmio de uma opção levando em conta a volatilidade do ativo no tempo. Os dois tiveram um raciocínio inovador na forma de estruturação de sua teoria, que acabou tendo amplo impacto no mundo inteiro. A extração da volatilidade passada, bem como a previsão da volatilidade futura são informações essenciais para a adequada precificação de opções sobre ativos financeiros. A fórmula e seu embasamento permitiram o aprofundamento de todos os estudos em finanças, particularmente no que diz respeito aos derivativos.


Mas é possível operarmos volatilidade pura aqui no Brasil, onde as opções de venda (PUTS) não têm liquidez?


Considerando apenas os CALLS podemos montar algumas estratégias para compra e venda de volatilidade, e também operações “delta-zero”, restritas apenas a combinações com opções de compra. São relativamente complexas, não recomendadas aos menos experientes, e podem envolver um volume razoável de capital para margem de cobertura, embora mantendo o mesmo saldo de C/V entre os strikes das opções, o risco estará sempre limitado a um valor conhecido.



Exemplo de compra de volatilidade:

-1000 TNLPD26 / +2000 TNLPD28


Esta operação é recomendada quando se espera que o mercado ande com força para qualquer um dos lados. Ela é mais utilizada com expectativa de alta na tendência quando montada ITM, sem custos. Para ganhar na queda é necessário receber um encaixe na abertura da operação (que seria o lucro final).


A venda de volatilidade simples é justamente ao contrário:

+1000 VALED62 / -2000 VALED64


Funciona bem para um mercado lateral pois, com uma queda acentuada, ela tende a não valer nada e no caso de uma alta forte não oferece limites de perda. Pode ser feita através de combinações (COMBs) envolvendo um maior número de strikes. As borboletas e mesas não deixam de ser operações neutras, mas diferem das VV por não exigirem margem, uma vez que o risco é apenas o que se pagou por elas. Nas vendas de volatilidade combinadas, geralmente recebemos para montar e temos que administrar a “dívida”, realizando os ajustes necessários para reduzir a chance de ficarmos expostos a eventuais perdas.

+1000 PETRD40 / +1000 PETR42/ -5000 PETRD44 / +3000 PETRD46


Concluindo, segundo Scholes, os derivativos são ferramentas de proteção e defesa, mas muito mais baratas do que um seguro. "Neste mundo instável é melhor a sociedade ter mais recursos para proteger o patrimônio e defender seus ativos". A má fama muitas vezes acompanha essas ferramentas, mas por incompreensão dos analistas. "Sempre que as pessoas pensam em derivativos, pensam na possibilidade de alavancagem e de ampliação do risco, mas não na sua função de seguro, proteção e de transferência de risco".









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