Aprendizados

AF: investindo em dividendos

27/04/2008


A grande maioria dos novos investidores do mercado é atraída para a bolsa de valores muito mais pelo histórico de valorização das cotações dos papéis, do que propriamente pela solidez dos ativos e a sua capacidade de pagar bons dividendos a cada período. Segundo um estudo comparativo das médias de pagamentos entre os países da América Latina, as empresas brasileiras apresentarão as melhores políticas de distribuição de dividendos, com pagamento estimado este ano de 4,5%, bem mais do que empresas chilenas(2,9%) e uruguaias(1,8%).


Já é sabido que os acontecimentos passados não devem servir como referência para novas aplicações. O cenário está sempre sujeito a constantes mudanças, e apesar da análise gráfica ser uma ferramenta bastante utilizada nas tomadas de decisão, ela funciona muito bem para que se possa entender o comportamento dos papéis ao longo do tempo, situar melhor o presente e também oferecer indicações para o futuro.


Ocorre que o mercado pode andar em duas direções. E nem sempre vai ser para cima, o que pode fazer a carteira de ações sofrer uma desvalorização como um todo. Mas os dividendos pagos por cada empresa não dependem de suas cotações momentâneas e estão muito mais associados a fatores fundamentalistas, como o lucro operacional, o ROI (Return on Investment), capacidade de geração de caixa, um baixo nível de endividamento, dentre outros aspectos.


Os dividendos consistem na parcela do lucro distribuída aos acionistas e, atualmente, já existem diversos fundos focados exclusivamente nos seus recebimentos, selecionando alguns setores e as empresas que se destacam pela tradição de serem bons pagadores e também pela periodicidade com que isto acontece. Lembrando que, todo investimento feito com esta finalidade não deve objetivar um retorno imediato, e sim, vislumbrar prazos mais dilatados.


Na hora da escolha é bom considerar a participação dos dividendos sobre o preço da ação. Conhecido como “dividend yield", este deve ser, preferencialmente, superior a 10%. Analisar sob um prisma meramente monetário, contabilizando apenas os valores pagos em Reais, pode gerar interpretações equivocadas, sendo realmente mais importante e recomendável que se observe as relações entre os proventos e o custo das ações.


Portanto, aqueles que tratam a sua carteira de ações como patrimônio devem considerar a possibilidade de carregar apenas papéis com bons fundamentos, e usar a AT como parâmetro para eventuais entradas e saídas do mercado. Mesmo no caso de haver uma iminente queda do mercado, a rentabilidade destas aplicações não tende a ser muito penalizada, apesar de uma possível desvalorização no preço dos ativos cotados na pedra.





Confira também o nosso FAQ (Questões mais Frequentes).