Aprendizados

Fischer Black & Myron Scholes

26/04/2008



A fórmula de Black e Scholes, segundo o professor Securato, foi apenas a primeira fórmula fechada a captar os efeitos da volatilidade no preço. "Depois dela e a partir dela, muitos outros modelos foram desenvolvidos", diz. Securato explica que foi outro teórico chamado Sharp que conseguiu fazer uma demonstração binomial, usando cálculos aleatórios, da fórmula Black & Scholes. Com isso, a fórmula foi adaptada aos computadores, que usam linguagem binária.


Segundo Scholes, os derivativos são novas ferramentas de proteção e seguro, mas mais baratas do que um seguro. "Neste mundo instável, melhor a sociedade ter mais ferramentas de proteção", disse. A má fama muitas vezes acompanha essas ferramentas, mas por incompreensão dos analistas, segundo Scholes. "Sempre que as pessoas pensam em derivativos, pensam na possibilidade de alavancagem e de ampliação do risco, mas não na sua função de seguro, proteção e de transferência de risco", diz o criador sobre a criatura.


O interesse de Myron Scholes por risco, especulação e probabilidades vem de sua infância, na cidade canadense de Timmins, 500 milhas ao norte de Toronto, no Canadá. "Eu nasci em uma cidade de mineração de ouro. Há muito risco e especulação nisso", afirma. Mas foi em Toronto e principalmente na Universidade de Chicago que Scholes pegou gosto pela ciência econômica. "Eu era apenas um jovem que não sabia nada e ficou apaixonado pela economia", conta.


"Sempre pensei em gerenciamento de risco, em como criar proteção financeira contra as incertezas e assim comecei a estudar o assunto", diz ele. Foi quando Scholes estava desenvolvendo a idéia de criar fundos de índices de ações que encontrou Fischer Black. "Nós estávamos pensando sobre temas semelhantes e começamos a trabalhar juntos nesse tema", conta. Os dois passaram então a pensar sobre opções para os índices de ações e, aos poucos, chegaram a uma das fórmulas mais importantes para o mundo das finanças de hoje (ver matéria abaixo).


Hoje, com 64 anos, depois de ganhar um prêmio Nobel de economia, em 1997, e das perdas bilionárias do Long Term Capital Management (LTCM), fundo do qual era sócio, em 1998, Scholes continua interessado em risco. "Estou escrevendo um livro sobre transferência de risco e liquidez nos mercados. É no que eu estou muito interessado. Como isso afeta a economia, a sociedade", conta. Ele também continua buscando lucros para si e para seus clientes com a tomada de risco no mercado financeiro: é sócio do fundo Oak Hill Capital Management, além de membro do conselho da Chicago Mercantil Exchange.


Scholes já é avô: tem quatro filhos, dois homens e duas mulheres, e dois netos, um menino e uma menina. E defende com unhas, dentes e muito orgulho toda a sua criação, inclusive os derivativos. "Um pai sempre fica feliz com sua criança. Às vezes, sua criança faz coisas que você não gostaria que ela fizesse.

 

Às vezes, faz coisas que você não esperava que fizesse", afirma. "Mas, se você criou algo que é valioso - e eu obviamente não avaliei na época a evolução que teria -, então você tem de entender que as pessoas vão usar de forma correta, mas errada também, e isso cria muito valor para a sociedade. É melhor do que criar algo que simplesmente morre, ninguém usa", acredita.





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