Aprendizados

Análise técnica x Análise fundamentalista

03/03/2009


Quais são os seus critérios para investir? Você se preocupa em acompanhar o cenário macroeconômico e os demonstrativos das empresas que lhe interessam? Ou se preocupa em encontrar padrões e tendências nos gráficos de seus ativos? A resposta para essas perguntas podem definir se você é um investidor fundamentalista ou gráfico.



Não se pode dizer que uma análise é melhor que a outra. Dependendo do seu perfil, uma delas se adequará melhor, mas uma coisa é certa: você não chegará a lugar algum se não procurar estudar uma das escolas para embasar suas decisões de investimento. E é por isso que trazemos, nas próximas páginas, a informação que você precisa para tirar suas dúvidas sobre as análises técnica e fundamentalista.



Análise fundamentalista


A premissa inicial da análise fundamentalista é de que o valor justo para uma empresa está relacionado à sua capacidade de gerar lucros no futuro. Para compreender isso, o investidor precisa atentar-se a uma série de fatores da própria empresa, além de cenários micro e macroeconômicos, como indica o quadro abaixo, extraído do livro Aprenda a investir em ações e operar na bolsa via internet, do colunista da InvestMais, Carlos Brum.



Contexto macroeconômico


» Globalização da economia
» Taxas de juros interna
» Taxas de juros internacional
» Taxa de câmbio interna
» Contas públicas
» Balança comercial
» Situação política nacional
» Relação dólar/euro/yen
» Fluxo e refluxo de capitais internos e externos



Contexto microeconômico


» Análises setoriais
» Qualidade da administração
» Profissionalização da gestão
» Questão sucessória
» Perspectivas futuras
» Competitividade internacional
» Potencial de mercado
» Atualização tecnológica
» Estrutura de financiamento
» Política de aplicação de recursos



O investidor que se pauta na análise fundamentalista acompanha o dia-a-dia do mercado, o noticiário e procura se informar sempre sobre os acontecimentos e previsões de especialistas, como recomenda José Góes, economista da WinTrade. “O investidor deve estar atento ao cenário macroeconômico e aos fundamentos da empresa, devendo aplicar um montante de dinheiro que possibilite que tenha tranqüilidade para esperar que suas ações subam. A inserção de empresas que pagam bons dividendos em seu portfólio também é uma ótima estratégia”.



Para Góes, além de acompanhar o noticiário, o investidor precisa entender que o desempenho da ação será pautado pela expectativa de melhora no futuro, e não de notícias passadas. “Deve-se avaliar sempre qual será o impacto de uma determinada notícia para frente”. Para quem está iniciando, recomenda: “A Bovespa disponibiliza o balanço das empresas em seu site. Um curso introdutório pode ser um primeiro passo para o entendimento dos balanços das empresas”.



No entanto, por mais importante que seja acompanhar o noticiário e as previsões de analistas, o investidor deve criar e buscar sua própria interpretação para análise, e isso só é possível através do estudo aprofundado e contínuo. “Não podemos confiar cegamente em relatórios de bancos e agências de rating. Isso pode ser extremamente perigoso, pois a relação entre empresas, bancos e agências é nebulosa e existem muitos interesses e comissões em jogo, aconselha Ricardo Pereira, editor de economia do blog Dinheirama.



Longo prazo

 


Períodos nebulosos, como o atual, fazem a alegria do investidor fundamentalista. “Se o investidor tiver uma visão de longo prazo, os movimentos de curto prazo devem ser encarados como oportunidades de venda ou de compra. Ele deve procurar sempre comprar bons ativos em períodos de queda e vender as ações caras na alta”, diz Góes.



Por mais batido que esse assunto possa parecer, muita gente ainda esquece dele em momentos de crise e incertezas. A dica é: invista somente suas reservas. Se você sabe que irá precisar do dinheiro em breve, procure alternativas mais previsíveis de investimento. Em resumo, planeje-se antes de investir. E se o momento é de crise, aproveite as ofertas da bolsa.



Quer exemplo maior de sucesso do que o ícone Warren Buffett? Ele construiu sua fortuna através da análise fundamentalista e já lucrou horrores com as crises ao longo do tempo. “Veja as flutuações do mercado como suas aliadas, não como suas inimigas – lucre com a insensatez em vez de participar dela. A incerteza, na verdade, é amiga do comprador de valores de longo prazo”, é o que ele recomenda.



Vantagens da análise fundamentalista


»O investidor opera mais embasado e fica menos sujeito a tomar decisões precipitadas, influenciado pela volatilidade do mercado.



» É capaz de detectar setores mais e menos beneficiados pelo ambiente econômico.



» Aponta empresas que tenham diferenciais competitivos relevantes.



» O estudo possibilita que o investidor consiga antecipar tendências.



» Faz o investidor acompanhar de perto o movimento das empresas.



» Visão de longo prazo é garantia de ganhos no futuro.



Desvantagens da análise fundamentalista

 

»Em certas ocasiões, como a crise atual, os preços das ações acabam oscilando muito, assustando o investidor que pauta seus investimentos para o longo prazo.



»A ilusão de descobrir pechinchas e acabar comprando ações de empresas ruins.



» É necessário muito tempo e dedicação para conseguir distinguir boas opções de grandes ilusões.



» A análise fundamentalista não serve para curto prazo. O fato de uma empresa ser boa não significa que ela vai subir no curto prazo, e o fato dela estar passando por um momento difícil não quer dizer que a empresa, ou mesmo o setor, não possuem potencial de grande valorização.



Análise técnica


Os primeiros trabalhos de análise técnica datam do início do século XX, quando os jornalistas Charles Dow e Edward D. Jones publicavam um informativo financeiro que mais tarde viria a ser o The Wall Street Journal. Ao longo dos anos, Dow apresentou suas teorias sobre o comportamento do mercado em artigos no jornal. O conjunto desses textos seria posteriormente reunido, gerando o que pode ser considerado o início da análise técnica: a Teoria de Dow.



“A teoria sugere ser possível, através dos gráficos, identificar o momento de abrir e fechar uma posição. Em resumo, ‘padrões’ que se repetem ao longo da história sinalizam se há uma probabilidade maior de alta ou queda das cotações naquele momento”, explica o engenheiro civil, pós-graduado em finanças e autor do blog Trader sem Mistérios, André Motta. Nas palavras do próprio Dow, “o que aconteceu ontem pode determinar o que acontecerá hoje, e a configuração gráfica dos preços tende a se relacionar com a direção que eles tomarão no futuro”.



“Com seus estudos, Dow observou que o mercado não é aleatório, que existe uma lógica em seus movimentos; e constatou que ele se move segundo tendências. Elas podem ser identificadas por meio de gráficos, que contêm toda a informação relevante”, conta Eduardo Matsura no livro Comprar ou vender? – Como investir na bolsa utilizando análise gráfica.

 



Principais características da análise técnica

 


» Analisa os dados gerados pelas transações como preço e volume.



» Utiliza os gráficos na busca de padrões.



» Visualiza a ação dos componentes emocionais presentes no mercado.



» Analisa as tendências e busca determinar alvos (até onde os preços irão se movimentar).

 



Os gráficos e o comportamento dos investidores


Outro ponto importante da análise técnica está ligado ao comportamento dos investidores: “Os grafistas defendem que é possível identificar padrões, muitas vezes, facilmente visualizados, que indicam o ‘humor’ do mercado e como as cotações deverão se comportar num futuro próximo. Ao contrário do analista fundamentalista, o analista gráfico não se preocupa se uma ação está ‘barata’ ou ‘cara’, ele apenas procura visualizar no gráfico se a ação está em tendência de alta ou não, mantendo-se comprado até que algum padrão no gráfico sinalize uma mudança de tendência, momento em que ele, então, desmontará sua posição”, esclarece Motta.



Ainda sobre o comportamento, o doutor Alexander Elder, especialista em análise técnica, diz, no livro Aprenda a operar no mercado de ações, que “precisamos identificar os comportamentos de massa e analisar a probabilidade de sua continuação ou interrupção. Se a tendência for de alta e constatarmos que a multidão está ficando mais otimista, devemos operar nesse mercado na condição de comprados. Quando verificamos que a multidão está ficando menos otimista, é hora de vender. Se a multidão parecer confusa, devemos ficar de fora e esperar que a tendência do mercado se delineie com mais clareza”.



Diferenças entre a análise técnica e a análise fundamentalista na ótica do grafista Didi Aguiar:


» A análise fundamentalista não enxerga curto prazo; a técnica sim.



» A análise fundamentalista externa a “cabeça” do analista; a técnica, a do mercado.



» A análise fundamentalista aponta áreas; a técnica números.



» A análise fundamentalista supõe; a técnica afirma.



» A análise fundamentalista é para pessoas com conhecimento ilimitado e uma memória de 500 mil gigabytes; a técnica é para qualquer um.



Vantagens da análise técnica


» Por se tratar de uma leitura de fluxo, o investidor pode se aproveitar melhor da volatilidade do mercado.



» Saber o que aconteceu com o ativo e o que está acontecendo, auxiliando a traçar estratégias.



» Ela orienta e é necessária para que o investidor possa saber onde, como e quando aplicar.



» Possibilita posicionar o stop loss, detectar o momento de efetuar um hedge e trabalhar em prazos mais curtos.



» Indica tendências e números importantes no curto prazo.



Desvantagens da análise técnica


» Ela não olha as empresas, e sim os movimentos dos investidores.



» A ilusão de adivinhar o futuro pode levar a operar certezas, o que pode terminar em grandes prejuízos.



» Ela é pouco útil quando o investidor não consegue liquidar toda a sua posição em poucas ordens, ou seja, ela é menos útil a grandes investidores.



» O perfil trader de curto prazo, que está embutido na análise técnica, acaba dificultando os investimentos de longo prazo. A pessoa vê que o papel vai cair e sai, mas, muitas vezes, não consegue recomprá-lo. Por isso é importante separar a carteira desejada para o longo prazo, isolando a volatilidade, da parte que quer comprar barato e vender caro, aproveitando a volatilidade.



» Perde para a análise fundamentalista quando se pensa no longo prazo.

 

Fonte: Revista Invest Mais - Redação





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