Aprendizados

Bolsa de valores e Emoções

21/11/2008


Na hora de investir na bolsa, emoção é burra


Nestes dias, a reação do mercado acionário mundial está refletindo as incertezas reinantes de um círculo virtuoso da economia global e expressou isso com uma grande queda nas cotações das ações, num cenário em que houve fuga de compradores. E no contexto atual, porque faltaram compradores?



Ora, porque as bolsas de todo o mundo estiveram over-bought, isto é, “super compradas”. Isso significa dizer que quase todos os interessados já compraram, restando uns poucos potenciais compradores, sempre os últimos da fila quando a bolsa está em alta.



Além do mais, considerando a massa de pessoas comuns, o processo mental e emocional que leva à uma decisão de compra ou de venda ocorre de maneira exatamente oposta à que deveria ser. Como todos já ouviram falar, deve-se comprar na baixa e vender na alta, mas, infelizmente, a emoção é burra e prejudica todo mundo.



E como nós aqui no Brasil, além de sermos eternos dependentes do Tio Sam, agora também somos da China, da Venezuela e até da Bolívia, vamos pagar mais uma vez o preço por brincar de lançar ações lá fora, as quais são torradas nesses momentos a qualquer preço, na clássica ironia de ver as “blue chips” despencando, exatamente por serem melhores e terem mais liquidez.



“Mico” não cai de preço, pois ninguém consegue vender! E por aqui, se pegando carona ladeira abaixo. É o clássico efeito dominó, também conhecido como “comportamento de manada”, situação em que se vê os neófitos de todo o mundo correrem todos juntos, apavorados, vendendo tudo a qualquer preço, sem verificar as condições reais do produto que compraram.


O fato é que, com todas as potenciais incertezas e indefinições, as crises e bolhas não são novidade para as bolsas, e depois porque ações são quinhões patrimoniais das Empresas cujos bens são naturalmente valorizados em dólares e produzem mercadorias que têm um valor no seu mercado.



Ou seja, com a variação do dólar para cima, junto com a queda acentuada das cotações das ações em reais, verifica-se que existe um espaço grande para, a médio e longo prazo, acontecer uma boa recuperação. Quanto mais não seja, quem comprar por agora pode se sentir confortável, pois estará pagando, em vários casos, menos que o preço do que outros leigos pagaram em períodos de recordes de cotações.



Afinal, qual é o ditado? Ora, comprar na baixa e vender na alta! Pode-se até melhorar essas instruções, para tornar mais fácil sua implementação: não comprar na alta e não vender na baixa.


No momento atual, muita calma! Ainda tem muito espaço para cair porque a Bolsa nos últimos tempos subiu muito. Assim, no curto prazo, os movimentos posteriores de recuperação chamam-se repiques, como se fossem o quicar de um bola de tênis descendo uma rua.



A chamada análise técnica, aquela que lida com gráficos, nasceu do estudo da repetição de histórias passadas, as que ajudaram a criar as “formações gráficas”. Vale a pena uma consulta a especialistas da área porque esse movimento que gerou uma barra de mais de 6% de queda num dia não fica impune e isolado: algum significado sério tem. Olho nos gráficos!



As cotações em termos fundamentalistas (análises feitas com base em resultados das empresas) precisam se apoiar em lucros futuros. Daí, quem tem aversão ao risco que se cuide, pois não dá para achar que as coisas prometidas para nossa economia aconteçam tão cedo.

 


Luis Carlos Ewald

 





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